Moinhos e Rio Mésio

O Rio Mezio

date out 21, 2014 date Moinhos e Rio Mésio

O nome poderá ter vindo de OMEZIO, palavra antiga a que corresponde homicídio. Para a maioria dos investigadores de onomástica (ciência que estuda os nomes em todos os géneros), indicava uma zona onde os criminosos e homicidas fugiam à justiça. Várias quintas de fidalgos tinham o privilégio de couto de homizio e bastava que um criminoso tocasse nos seus muros para já não ser preso.

Antigamente era conhecido por rio de Sousela e só chamado de rio Mezio a partir de Sampaio de Casais (memórias paroquiais 1758).

Pela serra escorrem vários canais que se juntam ao crescimento do caudal do rio Mezio, um deles é o rio de São Cristóvão ou rio de Santa Águeda como lhe chamam alguns.

(Lousada antiga, Augusto Soares Moura, pag 612, 613/2ª part);

 O rio Mezio trata-se de um curso de água de reduzidas dimensões, com uma extensão total de 28 quilómetros, 10.5 dos quais em território do concelho de Lousada, onde apresenta uma orientação genérica norte-sul. Com uma área total de bacia hidrográfica de apenas 38.2 km2, abarcando os concelhos de Lousada, Paredes e Penafiel, o rio Mezio apresenta um percurso sinuoso que termina no lugar de Souselinho, na freguesia de Santiago de Subarrifana (Penafiel), onde desagua. No concelho de Lousada o rio Mezio atravessa, de montante para jusante, as freguesias de Lustosa, Sousela, Ordem, Casais e Nevogilde.

Ao longo dos primeiros dois quilómetros do troço superior do rio, que corresponde, grosso modo, à zona alta da freguesia de Sousela, o Mezio apresenta um declive pronunciado c. 9,4%), Enquanto percorre, em caudal rápido, um vale relativamente profundo, com encostas arborizadas e encaixadas. Os indícios de arroteamentos são escassos e limitam-se a pequenas leiras em socalcos, próximas do leito do rio, cuja granulimetria é constituída por grandes blocos graníticos e a vegetação aquática é praticamente inexistente. A partir de Sousela até às freguesias da Ordem (c. 200 metros de altitude) e depois Casais e Nevogilde (c. 170 metros de altitude), o vale do rio Mezio torna-se progressivamente mais aberto e o declive diminui substancialmente (c. 3,8% na freguesia da Ordem e 0,5% em Casais e Nevogilde), com as margens baixas, frequentemente regularizadas por muros de pedra, a serem ocupadas integralmente por terrenos de cultivo. A redução da velocidade da corrente permite o aparecimento, neste troço inferior, de sedimentos finos e, por conseguinte, o desenvolvimento de alguma vegetação aquática, frequentemente acompanhada por uma galeria ripícola arbórea onde, para além de espécies exóticas assilvestradas, como o plátano (Platanus orientalis var.   acerifolia), predominam espécies autóctones como o choupo (Populus sp.), o salgueiro (Salix sp.) e o amieiro (Alnus glutinosa).

(Suplemento de Arqueologia CML, M. Nunes – revista municipal, ano 13, nº96, pag 1)