Bem-Vindo à Freguesia
de Sousela

Letras e Canções “da nossa terra”

date out 9, 2014 date Outras curiosidades e interesses

As danças e os cantares do antigamente eram dançadas nas eiras, e nos terreiro no fim dos trabalhos agrícolas, tais como: as vindimas, as desfolhadas, espadelas, arringas de linho etc, podiam ainda ser entoadas as canções e dançadas as modas nos largos dos caminhos, aos domingos à tarde ou então em dias de romarias.

Sousela, tal como nas outras zonas rurais, tinha muito o hábito da canção e da relação social através da música. A música era cantada nos campos para dar ritmo ao trabalho, para se entreter, ou para desabafar do pesado labor dos ofícios agrários. Podia também ser utilizada para comunicar agrados e desagrados da vida mundana ou  para os rapazes e raparigas se meterem à conversa e dizerem coisas pela canção que de outra forma não lhes era permitido. Servia para namoriscar, para se encontrarem ou para se divertirem simplesmente.

Aproveitando a recolha de canções dos tempos antigos, realizado pelo Grupo de Folclore “Ceifeirinhas do Vale Mezio”, expomos em baixo alguns exemplos dessas letras e do teor que elas possam ter ligado a cada atividade do povo desta região.

 

Rusga

ELE

Siga a rusga, siga a rusga

Siga o palácio do rei

Sigam as primeiras falas

Que eu ao teu coração dei

ELA

Siga a rusga, siga a rusga

Siga a nossa reinação

O meu paui era da rusga

E os filhos da rusga são

ELE

Siga a rusga, siga a rusga

Siga a nossa brincadeira

Não há dinheiro que pague

A mocidade solteira

ELA

Siga a rusga, Siga a rusga

Siga a rusga sempre a andar

Boa tarde meus senhores

A rusga vai acabar

 

Senhor da Pedra

 

ELE

Hei-de ir ao senhor da pedra

De penedo em penedo

O meu pai era pedreiro

Nem às pedras tenho medo

CORO

Bem dito senhor da pedra

Bem dito sempre sejais

Não tenho nada de meu

Vós, senhor tanto me dais

ELA

Bem dito senhor da pedra

Apanhar as camarinhas

O meu amor é de lá

Quere-as bem apanhadinhas

ELE

Hei-de ir ao senhor da pedra

Minha rica mariquinhas

Na vinda vou-te trazer

Um ramo de camarinhas

ELA

Hei-de ir ao senhor da pedra

Ainda que me leve um mês

 

Só para ver o milagre

Que o senhor da pedra fez

 

Vira das Ceifeirinhas

 

Ó Ceifeirinhas das Fontaínhas

Sois de Sousela

Vosso cantar, é um despertar

Da vossa terra

CORO

Cantai Ceifeirinhas louras trigueiras

Dos trigueirais, a noite morre

E a lua corre sobre os trigais

Cantai ceifeiras louras trigueiras

Dos trigueirais, sempre a cantar

E sempre a dançar nos arreiais

 

Ó Ceifeirinhas das Fontaínhas

Foucinha em punho, vosso cantar

É o despertar do mês de Junho

 

Regadinho

 

Água leva o regadinho

Pela minha porta abaixo

Escorreguei e caí

Quebrei o fundo do tacho

CORO

Água leva o regadinho

Vai regar o alecrim

Enquanto rega e não rega

Vou falar ao Joaquim

 

Água leva o regadinho

Pela minha porta dentro

Escorreguei e caí

No dia do casamento

 

Água leva o regadinho

Água lava e vai regar

Enquanto rega e não rega

Ao meu amor vou falar

CORO

Água leva o regadinho

Vai regar o alecrim

Enquanto rega e não rega

Vou falar ao Joaquim

Água leva o regadinho

Vai regar a quinta ao norte

Estas mocinhas de agora

Pede a Deus a boa sorte

 

Chula Barreira

 

ELE

Ai boas tardes meus senhores

Ai boas tardes quero dar

Ai é minha educação

A todos cumprimentar

ELA

Ai boas tardes meus senhores

Mais cedo não pude vir

Mas ainda venho a tempo

Das tuas falas ouvir

ELE

Ai Deus te salve cantadeira

E te cubra de bênção

Ai é tudo quanto deseja

O meu pobre coração

ELA

Ai o céu é para as estrelas

O jardim para as flores

Ai adeus que me vou embora

Boas tardes meus senhores

 

Tirana

 

ELA

Eu venho de lá de cima

De regar o laranjal

Trago aqui duas folhinhas

No bolso do avental

CORO

Tirana ó linda Ana

Meu bem de regar

O laranjal

ELE

No bolso do avental

Na renda do teu vestido

Teu marido está para a guerra

Deixa-me ficar contigo

ELE

Deixa-me ir ficar contigo

Uma noite não é nada

Eu entro pelo escuro

E saio na madrugada

ELA

Não entras pelo escuro

Nem sais de madrugada

Eu sou rapariga nova

Não quero ser difamada

ELA

Não quero ser difamada

Nem por ti nem por ninguém

Não quero dar o desgosto

A meu pai e minha mãe

 

Oliveirinha Douro

 

ELA

Ó oliveirinha douro

Tuas raízes são de prata

Tomar amores não custa

Deixá-los é o que mata

CORO

Ó meu amorzinho

Porque me disseste

Que havias de vir

E nunca vieste

Ai larailarai

Ai larailarai

ELE

Ó oliveirinha douoro

O vento leva a flor

Só a mim ninguém me leva

Para a beira do meu amor

ELA

Ó meu amor coitadinho

Chora de noite na cama

Chora que já foi amado

Agora ninguém o ama

ELE

Rosa que estás na roseira

Deixa-te estar que estás bem

De baixo ninguém te chega

Lá cima não vai ninguém

 

Loureiro

 

ELA

Esta moda do loureiro

Quem havia de inventar

Foram os presos da cadeia

Estão à sombra têm vagar

CORO

Loureiro verde loureiro

Seco na ponta verde no meio

ELE

Não te encostes ao loureiro

Que é verde pode quebrar

Encosta-te ao meu peitinho

Que é firme sem arrear

ELA

Não me encosto ao loureiro

As verdes folhas abanam

Não me namoram meiguices

Nem falas tuas me enganam

CORO

Loureiro verde loureiro

Seco na ponta verde no meio

  

Vira dos Namorados

 

ELE

Menina anda comigo

Vem aqui para a minha beira

Eu hei-de casar contigo

Queeira o teu pai ou não queira

ELA

Eu casar contigo sim

Mas por hora ainda não

Amanhã por esta hora

Te darei o sim ouo não

CORO

Ora vira vira e torna a virar

As voltar do vira são boas de dar

Ora vira vira vira-te para mim

As voltas do vira são dadas assim

ELE

Há noite quando me deito

Sete estrelas vou contar

Uma estrela é o teu nome

A quem sempre quero amar

ELA

Julgava eu que te queria

Bem te engana o coração

Não te quero nem te amo

Nem por ti tenho paixão

 

Vira do espadelar

 

ELA

Esta noite tive um sonho

Que virei no vailadinho

Eram as moças de Sousela

Que viravam com jeitinho

CORO

Ó virar virarvirar

Ó virar bem viradinho

Raparigas de Sousela

Estão a espadelar o linho

ELE

Esta noite caiu neve

Queimou a folha ao feijão

O meu amor não me escreve

Queimou o meu coração

CORO

Ó virar virarvirar

Ó virar bem viradinho

Raparigas de Sousela

Estão a espadelar o linho

ELA

Esta noite à meia-noite

Ouvi cantar e chorei

Pela minha mocidade

Que tão cedo a deixei

CORO

Ó virar virarvirar

Ó virar bem viradinho

Raparigas de Sousela

Estão a espadelar o linho

 

Verdegar

 

ELA

Ó verdegar verdegar

Ò verdegar verdeguei

Por causa do verdegar

Meu pai minha mãe deixei

ELE

Debaixo desta ramada

Não chove nem cai orvalho

Menina que há-de ser minha

Não me dê tanto trabalho

ELA

O meu amor diz que tem

Uva naquela ramada

Eu também digo que tenho

O meu amor em Lousada

ELE

Lá irei à romaria

Se fizeres o que eu te peço

Quantos beijos eu te daria

 

Caninha verde

 

ELE

Freguesia de Sousela

Tem uma caninha verde

Passa-lhe o Rio à beira

Verdega nunca tem sede

CORO

Caninha verde

Verde cana de encanar

Já morreram as velhas todas

Já não há quem talhe o ar

ELA

Ó cana ó verde cana

Ó cana verde na areia

Quem tem a mulher bonita

Ri-se de quem a tem feia

ELE

Tu pintaste a cana verde

No santo António da Maia

Eu também a pintaria

Na barra da tua saia

CORO

Caninha verde

Verde cana de encanar

Já morreram as velhas todas

Já não há quem talhe o ar

ELA

A cana verde no mar

Navega por onde quer

É como rapaz solteiro

Enquanto não tem mulher

 

Senhor da serra

 

ELE

Senhor da serra ai meu rico senhor

Maria linda Maria às-de ser meu amor

ELA

Ai Manuel tudo se pode arranjar

Mas quando se acabar o tempo da vida de militar.

CORO

Virai, virai, virai meninas

Virai, virai ó Ceifeirinhas

ELE

Senhor da serra

Ó meu senhor adorado

Quando for à inspeção

Quero ir para soldado

ELA

Gosto de ouvir teu falar

Dessa maneira

Se na guerra for ferido

Serei eu tua enfermeira

ELE

Me vou embora

Adeus me embora vou

Vou daqui para a minha terra

Desta terra não sou

ELA

Ai Manuel cantar e dançar agora

Que depressa chega a hora

Temos que nos ir embora

   

Malhão velho

 

ELE

Não cortes a videirinha

Que há na tua janela

Quantas vezes fez de escada

Para subir e descer por ela

ELA

Quem me dera quem me dera

Estar sempre a dar a dar

Beijinhos ao meu amor

Abraços até fartar

ELE

Amanhã é dia santo

Hei-de ir à missa do dia

Eu hei-de ir rezar contigo

Aos pés da virgem Maria

ELA

O meu amor não é aquele

Eu no andar o conheço

Tem um andar miudinho

Como a folha do codesso

 

"Ceifeirinhas do Vale Mezio" [fundado a 1979, representante das tradições populares da região do douro Litoral através de Sousela]

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