Bem-Vindo à Freguesia
de Sousela

Tanques e Lavadouros Públicos

date out 6, 2014 date Fontanários e Lavadouros

Durante centenas de anos o lavadouro foi o ribeiro ou o grande tanque que recebia e deixava correr as águas comunitárias. No antigamente eram lajes de granito, polidas, que serviam para bater a roupa (lavadouro propriamente dito) e as mulheres, acomodavam-se num espaço livre, de pé, no tanque ou ajoelhadas sobre uma esteira ou um resguardo de madeira, no ribeiro durante horas, (era unicamente espaço de mulher).

Em Sousela, lavava-se nas bermas do rio ou então em lavadouros junto aos rios ou às nascentes construídas com o desvio das águas. Também as represas serviam como reservatório de águas para diversos fins, e um deles era a serventia para lavar da roupa e outras lides domésticas. Este tipo de reservatório de água podia ter diversos formatos e tamanhos, sempre com uma laje em granito para esfregar a roupa.

Em Sousela os lavadouros públicos surgiram em finais do século XIX.

Nos lavadouros, a água que saía das bicas era normalmente, canalizada para as pias ou tanques para lavar a roupa mas também poderia ser aproveitada para a rega das hortas ou trazida em cântaros para as casas das pessoas para uso doméstico.

Este espaço era um local de socialização entre as mulheres, para segredos e para a confidência, para o "diz-se-que disse e não se diz", espaço de reportório e de pasquim da vida aldeã. Nos lavadouros podiam combinar-se labores, combinar festas e vestes para as mesmas, cantar em grupo, partilhar segredos, dar a opinião da vida dos outros, etc. Provavelmente neste espaço que surge a famosa frase – "Lavar a roupa suja”.

Ainda hoje, em Sousela, as pessoas mais antigas, preferem lavar a roupa à mão nos lavadouros da freguesia, embora tenham máquina de lavar roupa em casa. Dizem que a máquina serve para lavar em grandes quantidades e dá jeito quando chove e não podem ir ao lavadouro.

Antigamente lavava-se nos lavadouros do monte, ou junto ao rio, no inverno e na primavera. No verão secavam e tinham de se deslocar aos lavadouros públicos.

Para aqui, as mulheres iam de madrugada para ficarem no “olho do lavadouro” (espaço imediatamente a seguir à bica de água) e as mulheres que chegassem mais tarde teriam de ficar com os espaços a seguir à primeira e assim apanhavam as águas mais sujas da lavadeira que estava mais acima. Utilizava-se a “areia branca” para tirar as piores nódoas e o “sabão-rosa”.

“Lavava-se roupa de oito ou nove pessoas porque era necessário levar os filhos para a escola com roupas limpas”.

A roupa molhada era muito pesada e por isso era normal atarem uma corda nuns pinheiros e deixar escorrer a água, principalmente os cobertores e os tapetes. Depois carregava-se à cabeça a bacia com as roupas de volta a casa.

Hoje em dia, as máquinas de lavar e secar roupa tomaram o lugar dos lavadouros. Lava-se à mão para “matar saudades” quando vem mais sol…

Os lavadouros são património representativo de uma época, não muito longínqua, em que as práticas comunitárias eram mais frequentes.

Aqui fica registado o inventário, dos lavadouros públicos da freguesia de Sousela, feito a par deste projecto:

Descrição: Estrutura de base e formato rectangular, com cobertura em argamassa sustentada por quatro colunas em granito. Tem uma pequena parede de cada lado entre o solo e a cobertura. A sua fachada é composta por um frontão em silharia de fiadas regulares, e ao centro do mesmo sai uma bica de água para uma pequena pia rectangular. Tem duas entradas de acesso ao interior por cada lado do frontão. Lá dentro, tem quatro pequenos tanques e mais um, grande, interligados entre si, todos em granito e a técnica utilizada é em silharia de fiadas regulares. A água que cai na pia é canalizada para dentro e corre num veio que se distribui pelos tanques. Os pequenos tanques têm uma laje em granito e o tanque maior possui duas lajes, uma em cada lado. A água que sai dos tanques é encaminhada para um rego e parte aproveitada para a rega dos campos.

 Estado de conservação: Bom;

Actualmente ainda serve a comunidade;

Descrição: Situado numa cota inferior, o lavadouro da Petinha apresenta-se amplo de planta rectangular, construído em granito e a técnica utilizada é a de silharia de fiadas regulares. Parte do lavadouro está inserido no muro do caminho. Tem uma laje comprida em granito. A cobertura é em chapa ondulada, suportada por quatro vigas em ferro, que abriga a zona das lavadeiras. A água é encaminhada de uma nascente para o tanque através de um cano. A água que sai do tanque é encaminhada para um caneiro e parte dela é aproveitada para a rega de campos.

Estado de conservação: Bom;

Actualmente ainda serve a comunidade; 

Descrição: Estrutura de formato rectangular, com cobertura em cimento sustentada por quatro colunas em granito. Tem um pequeno muro a toda a volta, excepto na fachada principal. A sua fachada é composta por um frontão em silharia de fiadas regulares, e ao centro do mesmo sai uma bica de água para uma pequena pia rectangular. Tem duas entradas de acesso ao interior por cada lado do frontão. Lá dentro, tem quatro pequenos tanques e mais um grande, interligados entre si, todos em granito e a técnica utilizada é em silharia de fiadas regulares. A água que cai na pia é canalizada para dentro e corre num veio que se distribui pelos tanques. Os pequenos tanques têm uma laje em granito e o tanque maior possui duas lajes. A água que sai dos tanques é encaminhada para um rego e parte aproveitada para a rega dos campos.

Estado de conservação: Bom;

Actualmente ainda serve a comunidade; 

Descrição: O lavadouro da Rua da Quintã é dos mais antigos da freguesia. Além de servir as lavadeiras era também um bebedouro para os animais que aqui passavam. Apresenta-se a uma cota inferior, ao nível do solo. Tem planta rectangular e a sua construção é em granito com a técnica de silharia de fiadas regulares. Possui uma única laje em granito a todo o cumprimento do tanque e tem base para o sabão. Sobrepujado, num dos lados do lavadouro, está um marco com a data de 1947. A cobertura é em chapa ondulada, suportada por quatro vigas em ferro, que abriga o lavadouro. A água é encaminhada de um veio de água para o tanque através de um rego aberto. A água que sai do tanque é encaminhada para um caneiro e é aproveitada para a rega dos campos.

Estado de conservação: Regular;

Actualmente pouco ou nada serve a comunidade;

(DPPL-Sousela, da Junta de Freguesia de Sousela - 2013/14) 
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