Casas "Solarengas"

Casa da Quintã com Capela

date set 26, 2014 date Casas Solarengas

Bonita e sólida Casa do séc. XVIII, com alguns elementos do estilo barroco e neo-clássico, toda de bom granito, situada em Moreira.

Tem a Casa uma capela e muitos campos de cultivo à volta. Faz cria de animais nomeadamente bovinos.

O visitante pode observar um bonito relógio de sol, mais um que está inacabado, pode observar ainda a estrutura sineira e as cruzes da capela. Aqui se dava missa em datas importantes dos proprietários da casa.

O proprietário é Sr. Firmino Oliveira que herdou de seus antepassados este congregado habitacional.

Actualmente a casa está restaurada com portas e janelas de materiais diferentes dos originais da altura, mas certificam o bom estado de manutenção, julgando-se pela fachada.

Tem ainda um passadiço de acesso da casa para os compartimentos dos animais, a uma altitude de 3mts, que atravessa a rua da Quintã. Neste mesmo sítio existe uma mina de água, um nicho religioso e um fontanário com a data de 1966.

A desactivada Capela tem esculpida a data de 1761 no entablamento da entrada. A técnica de construção da capela é em silharia de fiadas irregulares. Fora da mesma capela estão presentes partes do antigo altar que estava lá dentro e os degraus do mesmo que foram reaproveitados para o átrio. Na fachada, em cada lado da entrada principal estão duas pequenas janelas emolduradas de granito. O frontão é composto por um pequeno friso e duas meias volutas, e tem por cima uma pequena janela. Tem duas colunas adossadas à parede da casa em silharia típicas do estilo do séc. XVIII. Tem por cima da cornija 4 pináculos, em cada canto, em formato piramidal arredondado na ponta e sobrepujado ao frontão da retaguarda tem uma cruz trifólia. O telhado é em duas águas e coberto de telha.

Nesta Capela consta, por parte da população, que foi enterrado um padre que aqui dava missa, e que até à pouco tempo a sua lápide ainda estava no mesmo chão da capela, debaixo do altar. Para curiosidade, esta capela, à cerca de 30 anos atrás, foi um café e até foi um local de festa de passagem de ano, explorado pelo Sr. Ernesto Gonçalves (residente nesta freguesia). Nessa altura “o tecto estava pintado com imagens religiosas e o altar estava quase intacto”, (comentou o Sr. Ernesto.)

Vários testemunhos comentaram que, por esta rua se manifestaram várias lendas, que não passavam de brincadeiras dos jovens da altura.

Por ser um quelho muito escuro e porque as colunas do passadiço permitiam um refúgio para quem se escondia e preparava as partidas aos transeuntes. O cenário e o guião para estes mitos estavam naturalmente criados. Os garotos da altura,” no meio do escuro escondiam-se no passadiço à espera que alguém passasse, a pé ou de bicicleta, e, ou de mota (mais tarde) … Era muito escuro e como não havia luz as partidas estavam por conta de quem as fizesse. Entre “chapadas” na cabeça das pessoas, puxar pelas roupas dos caminhantes ou a entoar sons estranhos, criavam-se medos nas pessoas que ali passavam que logo corriam a sete pés aos berros com tamanho susto. Fosse quem fosse o valente!

 Outras vezes, quando alguém passava de bicicleta, seguravam no assento da bicicleta e ao mesmo tempo o levantavam. Os que seguiam em cima, viam-se a dar ao pedal em falso. Logo aí atiravam-se para o chão muito assustados e começavam a correr e a implorar por socorro”. “ [A esta rua chamavam o quelho do Crica].”

(DPPL-Sousela, da Junta de Freguesia de Sousela - 2013/14)