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set 26, 2014 |
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Lendas e Tradições |
Sobre o Altar dos Mouros, debruço-me numa crónica do Padre Peixoto ao Jornal de Lousada – 15.06.1913 que refere o seguinte: “quase de fronte de Santa Águeda encontramos o altar dos Mouros, umas rochas graníticas, sobrepostas à maneira de trono de Igreja. Assim como estão, foram sobrepostas pela Natureza (dado relatado pela maioria dos estudiosos deste local, entre os quais Martins Sarmento), descobertas do solo pela acção secular das chuvas e torrentes, elevadas e expostas ali pelas convulsões geológicas, há centenas de milénios”.
Deste lugar, muitas e variadas lendas se relatam.
Para o actual herdeiro do terreno, Lívio Gaspar Coelho, este lugar já é mítico à muitas gerações e crê que desde sempre deu espaço e lugar ao mais criativo contador de fábulas, “basta vir aqui e parar um bocadinho para que este espaço seja motivo para uma possível história, lenda, ou simplesmente obra da natureza”. Mais adiante, o mesmo refere que o seu Bisavô ouvira falar dos seus progenitores que, “aqui seria um lugar de palestra, em que o senhor das terras comunicava através do rebordo deste gigante penedo para a outra margem onde estava a assembleia dos aldeões”, Daqui, nota-se realmente, que o timbre da voz de quem fala projecta-se com um efeito acústico muito interessante, mas para o proprietário deste lugar parece estranho ter tido realmente essa função pois “com o barulho que a água do rio faz torna-se quase impossível de perceber o que quer que seja, ainda por cima, lá na outra margem, o desnível do terreno é muito acentuado e com isto, não transmite a ideia da existência de uma plataforma para a tal assembleia dos aldeões.”
Pela voz do povo de Sousela, há quem afirme, através da aparência que este penedo tem, que num passado muito remoto, possa ter ali havido “uma ponte de corda e madeira para a outra margem, onde do outro lado, está, também, um rochedo capaz de suportar a ponte e servir de plataforma de passagem.” A própria morfologia do penedo leva a outras crenças por parte do povo: “dizem que a forma que o penedo tem é devido à acção do homem e extracção de pedra para esteios de vinhas, construção de casas ou para canais de água do rio Mezio, etc.”
Para quem visita este local nota que a formação rochosa parece lascada e que teve a acção do homem, mas ao olhar em redor apercebe-se que, este local devia ser motivo de estudo geológico, pois parece que, a Mãe Natureza torceu a crosta terrestre e deu origem a esta estranha morfologia dos penedos.