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set 25, 2014 |
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Outras curiosidades e interesses |
Esta área a que chamamos de Freguesia de Sousela vem citada em documentos muito antigos, alguns ainda antes de existir nação, quer como villa, no sentido de exploração agrária, quer como rio ou ribeiro. Vejamos alguns:
Em 1049, Ansur Dias fez testamento e contemplou o Mosteiro de Cête com uma ampla doação “(…) doo-lhe (ao Mosteiro de Cête) o casal de Carcavelos na margem de Sousela, situado entre o Sousa e o Sousela, no sopé do Monte Calvelo (Serra de Campelos)”. (M. Cete, 46)
Um Outro: em 1059, o inventário de Mumadona Dias diz: “(…) et inter rivulo sausela et sequeiros de tota ipsa villa que in médio jacet ubi iafar habitat III integra(…)” ou seja, refere: entre o rio de sousela e sequeiros. (Vimaranis, I, 50)
Em 1154, à um Escambo, ou troca com Gonçalo Rodrigues e sua mulher D. Urraca Viegas, filha de Egas Moniz (o Aio de D. Afonso Henriques), das herdades que tinham recebido do Avô Egas Moniz, metade da igreja de Santa Maria (do padroado Sem dúvida) e metade da igreja de São João (tam laicale quam ecclesiasticu videlicet medietatem de ipsa ecclesia de Sancta Maria et medietatem de ipsa ecclesia de Sancto Iohanne). (Arouca, 261)
Em 1220, nas inquirições de D. Afonso II. Termo de Aguiar de Sousa sobre a freguesia de Sousela, refere:
É sobretudo a partir de 1258, sob o reinado de D. Afonso III, que através das inquirições dessa data sabemos mais a pormenor a organização territorial àquilo que foi a freguesia de Moreira. Falaremos agora sobre Moreira, atual lugar de Sousela, da sua origem aos dias de hoje.
Quando das inquirições de 1258, Moreira constituía uma freguesia à parte, tendo como padroeiro S Salvador. Não se sabe em que ano foi incorporada em Sousela, e da sua existência como freguesia também não há muita informação. O Padre Francisco Peixoto escreve no Jornal de Lousada (04/07/1915) que várias pessoas de Moreira lhe afirmavam que “ perto das últimas casas do lado poente, numa concavidade ou depressão do solo, costuma cair uma estrelinha, por, em tempo antigo, aí ter havido uma capela”. E prossegue:” tal capela devia ser, provavelmente, a matriz da respectiva freguesia de Moreira, visto que uma grande parte das igrejas paroquiais, daqueles tempos, principiou por simples capelas de pequenas dimensões, e pertencentes a particulares”.
“A igreja de Moreira pertencia realmente a particulares: era de D. Rodrigo Froia, fidalgo e grande proprietário, que figura em várias freguesias, deste e de outros concelhos, de D. Gil e de herdeiros”.
O rei não tinha nenhum direito ao foro, mas possuía um reguengo (tal como já fora falado em cima) que principiava em fontes-covis a partir com as leiras do Outeiro (actualmente pertence a Figueiró), e ia até à pedra da paixão, seguindo às vertentes das fontes-covas, vinha pelas quebradas de Sobrosa, daqui ao campo de Lucêncio, e daqui à pedra do Agro-Velho. Mas deste reguengo o rei não recebia foro senão de seis pequenas leiras.
A paróquia constava de 11 casais (casais – significa ou exprime uma parcela agrária, isto é, um conjunto de campos com habitação e dependências variadas [espaço habitacional, cortes, adegas, etc] o numero de pessoas que representa é difícil de calcular, seria um casal e um numero de filhos que oscilava muito, nestas porções podiam ainda viver os pais de um dos cônjuges) pertença do Mosteiro de Airães, Convento de S. Tirso, Igreja de S. João de Covas (quem ainda em 1915 colhia uns foros que lhe pagavam os Secos de Moreira), D. Rodrigo de Froia, dos herdeiros Pedro Pequeno, Pedro Martinho, Martinho Pedro, Durando Mendo e Miguel Pedro, que pagavam foro a D. Rodrigo Froia, Martinho Mendo e Maria Gonçalves, que pagavam foro a D. Gil, e dos filhos deste fidalgo.
O texto das inquirições ainda alude a outra aldeia que fazia parte da freguesia, mas por lapso dos copistas provavelmente não diz o seu nome nem os casais de que constava… Talvez fosse a aldeia de Soutelo (diminutivo de Souto) ou de Parada, que parece ter pertencido a Moreira, assim como a atual Casa do Reguengo.
O Padre Francisco Peixoto diz que, de entre os limites da antiga freguesia, ainda existia em 1915 a pedra da paixão, numa bouça junto ao limite da freguesia de Freamunde, e que fora esse local o assento da primitiva igreja, vindo por isso o dito lugar a ser designado de Paixão, espécie de calvário daqueles séculos.
Os outros limites dados ao reguengo de Moreira seriam Soutelo, hoje lugar de Sousela, bem como Outeiro, atualmente parte da freguesia de Figueiró.
Pegada a Moreira ficam Moimenta (em latim Monumenta que significa, lugar de monumentos como arcas, antas, dólmens, aras ou pedras tumulares dos celtas ou pré-celtas, que provavelmente aí se viam e lhe deram esse nome) e a Bragada.
Dentro dos limites de Moreira, a Sudoeste, em lugar ermo e desabitado, os penouços (Penedos dos Castros, grandes e vistosos penedos, colocados quase artificialmente em circulo, e formando uma espécie de cromeleque natural).